As categorias de base do Internacional vêm sustentando o ataque do Colorado há um bom tempo. Desde o sucesso de Daniel Carvalho e Nilmar, a partir de meados de 2003, é praticamente uma tradição da equipe principal manter pelo menos um avante formado em suas divisões inferiores.
Foi assim também com Rafael Sóbis, Alexandre Pato e, atualmente, Taison. E a esperança dos gaúchos é que esse processo continue se repetindo. Recentemente, Walter e Talles Cunha passaram a integrar o elenco profissional e são vistos como garantia de muitos gols para os próximos anos.
Entretanto, o nome apontado por todos como a grande promessa da academia colorada ainda integra a equipe de juniores. Lucas Roggia é visto desde a época de juvenil como o sucessor de Alexandre Pato na linhagem de futuros craques do futebol mundial formados no Inter. Semelhantes na forma de jogar e até mesmo fisicamente (ambos tem praticamente a mesma altura e peso), a mística da sucessão vem desde 2007. No mesmo ano em que Pato rumou para o Milan, alguns meses antes, Roggia fechou seu primeiro contrato no Beira-Rio. Sinal de que a boa safra de jovens ainda perduraria por mais algum tempo.
Destaque precoce
Foi também em 2007 o ano do primeiro grande feito de Lucas Roggia. Além de contribuir na conquista do tricampeonato juvenil gaúcho, o atacante mostrou toda a sua força na pequena área. Foram 19 gols e a artilharia final do torneio assegurada.
Bastante preciso em seus arremates, o garoto de Santa Maria é bastante oportunista na hora de concluir as jogadas. E os olheiros do Inter já sabiam disso desde 2004.
Nesse ano, o jogador disputou pela equipe de Passo Fundo o Efipan, torneio gaúcho que reúne times na categoria infantil. No encontro entre sua equipe e o Internacional, 3 a 1 para o Passo Fundo, com show de Lucas Roggia. Como consequência, em dezembro do mesmo ano o atacante desembarcou no Beira-Rio.
Vestindo a camisa 11 colorada, a jovem promessa costuma atuar mais como um atacante de movimentação. Muito veloz, ele usa sua agilidade para antecipar e driblar os zagueiros adversários. E apesar dessa característica, apresenta-se sempre mais à frente para concluir a gol. Dentro da área, por não ser muito alto (tem 1,77 m), prima pelo bom posicionamento e pelo faro refinado nos arremates. Recursos fundamentais para amenizar a sua fragilidade física.
Sua capacidade como matador já foi comprovada por diversas vezes. Além do tri gaúcho juvenil em 2007, ainda nesse ano, ele foi o principal nome do Inter na campanha do título na Copa 2 de Julho. No torneio sub-17 baiano, além de marcar um dos gols na final contra o Cruzeiro, Lucas Roggia foi mais uma vez o artilheiro de um campeonato. Em seis jogos, foram dez gols, marca incrível de um gol a cada 54 minutos de partida.
Em 2008, havia a esperança de que Lucas já fosse chamado para a disputa da Copa São Paulo de Juniores, o que não aconteceu. Restou a ele se contentar com outra artilharia e com o vice-campeonato na Copa Santiago, disputada também em janeiro.
Permanecendo no time juvenil, conquistou mais um título do Campeonato Gaúcho, o tetra do Inter. A artilharia, dessa vez com 12 gols, se repetiu. E no primeiro jogo da final, em um Gre-Nal, o gol da vitória e a estrela nos momentos decisivos.
Após a integração definitiva ao elenco júnior, o atacante esteve no time que jogou o Campeonato Brasileiro Sub-20 de 2008. Mesmo não tendo sido titular, foi peça importante na formação do técnico Osmar Loss, entrando durante todas as partidas até as semifinais, quando os guris do Inter perderam o clássico contra o Grêmio.
Roggia estreou na Copa São Paulo, no início de 2009. Com um gol, brilhou no primeiro jogo do Inter, que venceu o Noroeste de Bauru por 3 a 1, e foi titular nas duas primeiras partidas. Na última rodada da primeira fase, contra a equipe do São José-SP, fez sua despedida na disputa, entrando como substituto durante o jogo. Os colorados continuaram na competição, sendo eliminados apenas nas quartas-de-final, contra o São Paulo. Uma lesão impediu que o camisa 11 pudesse ajudar o Colorado.
E mesmo sem ter ainda nenhuma participação por seleções de base, a esperança é de que o jogador já integre a seleção sub-20 que disputará uma vaga para o Mundial da categoria de 2011, que acontecerá na Colômbia. Tudo depende de seu sucesso com o uniforme alvirrubro.
Mas será que ele fica?
A maior incerteza quanto ao sucesso de Roggia com a camisa colorada paira sobre a dúvida se ele chegará mesmo a estrear pelo time principal. Há um impasse quanto à renovação contratual do garoto. Com vínculo firmado até maio de 2010, o atacante foi procurado pela diretoria do clube gaúcho já no início de 2009 para uma renovação por mais quatro anos. Porém, até agora nenhum acordo foi concluído, dadas as altas exigências do jogador.
Apontado como grande empecilho para o acerto, o empresário do jogador, Mino Raiola, tem um histórico que causa desconfiança ao clube gaúcho. No início de 2009, o lateral-direito gremista Felipe Mattioni, um dos atletas agenciados pelo italiano, não compareceu na pré-temporada do tricolor na cidade de Bento Gonçalves. Estava na Europa acertando sua transferência ao time do Milan. Além disso, Raiola, que também é procurador de Ibrahimovic, estaria disposto a levar Lucas Roggia à Internazionale de Milão.
Em abril, como forma de proteção ao seu tesouro, o Inter decidiu não inscrever o atacante na Punta Cup, torneio uruguaio de futebol júnior que reúne importantes equipes do futebol sul-americano. O meia-armador João Paulo, com a mesma pendência contratual, também não viajou ao Uruguai.
Desde então, Roggia não joga mais com os juniores do Internacional. Nome certo no ataque da equipe, não participou de uma partida sequer na campanha vitoriosa do time sub-20 no bicampeonato gaúcho da categoria. A medida da administração colorada, além de pressionar Roggia a assinar a renovação, diminui sua visibilidade no mercado. Sem poder apresentar sua arte nos gramados, não atrairá a atenção do mercado europeu.
Essa mesma tática já foi usada pelo Inter. E justamente com Alexandre Pato. Os gaúchos seguraram o atacante até que ele acertasse sua permanência. Depois do acordo e da multa rescisória em 20 milhões de dólares, os primeiros jogos no final do Brasileirão de 2006 e a explosão no Mundial Interclubes. Resultados que mostram o valor da preservação das promessas.
Caso fique no Beira-Rio, Roggia tem tudo para se destacar na equipe de juniores. Sem poder disputar a Copa São Paulo de 2010 (terá superado a categoria sub-18), sua próxima grande chance seria o Campeonato Brasileiro Sub-20, já no final do ano de 2009. Munido por um elenco forte, poderá demonstrar sua habilidade em um torneio de grande projeção. E quem sabe, fazer jus às comparações com Pato e se transformar em mais uma realidade para o ataque colorado.
Publicado originalmente em Olheiros.net
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
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